O Código Da Vinci
Dan Brown

Editora : Sextante Ficção
2003
Gêneros : 
Drama, Ficção, Investigação, Suspense

O Código Da Vinci é um livro pretensioso. É o tipo de livro que chega pra fazer barulho, e consegue. O polêmico best-seller trata sobre assuntos muito encobertados, como seitas secretas dentro da Igreja Católica, o lado humano de Jesus Cristo e como o mundo em que vivemos é manipulado por forças maiores. Não forças maiores como deuses ou algo do tipo, mas por instituições e comunidades.

Na trama, após um misterioso assassinato de um curador do Museu do Louvre, o professor e perito em simbologia Robert Langdon é chamado pela polícia francesa para ajudar nas investigações, já que o corpo encontrado está cheio de mensagens ocultas e simbolismos ás obras de Leonardo Da Vinci. Langdon é alvo de uma conspiração dos policiais para ser incriminado, e consegue descobrir isso com a ajuda da criptógrafa Sophie Neveu. Junto com Sophie, Langdon parte em busca de desvendar um quebra-cabeças super complexo sobre a morte do curador, e acaba se envolvendo numa caçada ao verdadeiro Santo Graal.

A narrativa segue mostrando três histórias paralelas, a do numerário de uma instituição católica, Opus Dei, Silas; do bispo Aringarosa; e de Robert Langdon e Sophie Neveu. De primeiro instante, as trocas entre os capítulos e a alternância entre as histórias paralelas parece sem sentido, mas depois se juntam, se alinham, se conectam e viram uma só. Dan Brown consegue com maestria prender o leitor a uma história onde ele não sabe onde se posicionar ou entende muito pouco sobre o que está havendo, e vai lhe dando pistas e explicações complexas, porém feitas de maneiras simples, para contextualizar e fazer o receptor mergulhar de cabeça no que está sendo proposto.

Para ler O Código Da Vinci, é preciso ter a cabeça aberta para novas ideias e versões da realidade conhecida. É um livro que faz os mais religiosos se sentirem um pouco abalados com suas fés, ou até mesmo desistirem dela. Faz o leitor ir á procura do que está sendo dito, pesquisar diversas referências no Google ou em obras de arte para comprovar o que está sendo falado no livro, e isto é uma experiência inigualável. Em diversos momentos, Brown faz o leitor se sentir um investigador no meio de Langdon e Neveu, e essa é uma das melhores coisas que os livros podem oferecer.

The Last Supper Restored, Leonardo Da Vinic

Porém, na parte de sua história, o livro falha. Muitas reviravoltas impossíveis são forçadas, do tipo que não passam confiança e acontecem só para a trama continuar do jeito que o autor imaginou inicialmente. Os personagens secundários são muito bem usados no começo, mas ao desfecho da trama, ganham papéis incrédulos na história, apenas para ligá-los novamente aos personagens principais. Algumas dessas reviravoltas vão contra o que o livro mostrou há poucos capítulos atrás, praticamente ignorando alguns fatos ou dando explicações bobas à eles.

Ou seja : o livro se foca na polêmica e na história da humanidade, e esquece de seus personagens. Mas esse é o seu diferencial, se não, seria apenas mais um romance policial. É muito interessante ver como alguns mistérios são desvendados, e as explicações para coisas que apenas são aceitas na sociedade, sem antes serem questionadas, como a Bíblia. Por que ninguém se pergunta quem a escreveu ?

”Quando a história é escrita, assassinos se tornam heróis!”

Outro ponto que o difere de um simples drama são os mistérios e charadas. A maioria deles são geniais, e quando há uma pausa na leitura, faz o leitor ficar pensando em qual deve ser a solução daquilo. Esses artifícios prendem mais do que qualquer romance adolescente atual, mesmo os mais inovadores.

É um livro feito com pesquisa, de lugares e obras de arte, da história de quadros e países. É feito com embasamento na verdade, mas ainda assim sabe diferenciar do que é ficção. Uma proeza da literatura do século, para os fortes e curiosos, que buscam por respostas sobre o que já está imposto e restrito. Simplesmente magnífico.