Até mesmo os personagens de quadrinhos mais inúteis podem renascer a qualquer momento. A DC Comics, inclusive, já pegou o esquecido Homem Calendário – cujo super-poder era literalmente apenas “ler um calendário” – e o reinventou numa figura de horror sombria e insana. Mas existem alguns capítulos vergonhosos do passado da DC que a empresa nunca vai querer desenterrar. Não espere que qualquer um dos seguintes personagens reapareça num filme ou nos quadrinhos tão cedo.

Extraño1

Em 1988, a DC introduziu Extraño, provavelmente o primeiro super-herói abertamente homossexual na história dos quadrinhos. Foi um grande passo na direção certa, exceto pelo fato de que a maneira como o personagem era retratado era muito ofensiva e ignorante.

Extraño tinha poderes mágicos: levitar, fazer objetos desaparecerem e reaparecerem e assim por diante. Ele nunca tirou um coelho gigante e comedor de pessoas do chapéu, no entanto, o que provavelmente teria ajudado a sua equipe. Em vez disso, ele se concentrou principalmente em seu poder real: ser tão um gay tão extravagante e estereotipado quanto humanamente possível. Embora ele nunca tenha se declarado homossexual explicitamente, era bastante óbvio o que a equipe criativa estava dizendo. Afeminado, alto, desagradável, excessivamente feliz e com um talento especial pra referir a si mesmo como “titia”, Extraño não foi nenhum avanço pra causa homossexual. Pra piorar, ele foi atacado pelo super-vilão “Hemo-Goblin” e contraiu AIDS. Seria melhor a DC declarar um pedido de desculpas do que tentar reinventar esse cara.

Danny, a Rua2

Apesar de “Danny, a Rua” soar como um herói urbano, a verdade é muito pior. Danny é… Uma rua. O nome é literal! Sim, em 1990, a DC nos deu um pedaço de estrada viva e senciente como nosso mais novo super-herói, presumivelmente porque alguém bebeu cachaça enquanto trabalhava naquele dia. Danny não caminha ou nada, o que poderia ter feito dele um justiceiro eficaz – imagine Apocalypse contra mil toneladas de concreto -, mas ele pode se teletransportar e se fixar em qualquer cidade, sem que ninguém perceba a rua totalmente nova que não estava lá ontem à noite. Ele também foi Danny, o Mundo, Danny, o Tijolo e… Deixa pra lá.

Oh, e devemos chamá-lo de “ele” em vez de “isso”, porque ele é do sexo masculino. Uma rua orgânica que se teletransporte sem gênero não era bizarra o suficiente, de modo que a DC fez dele um “cross-dresser”, como lojas de armas e decorada apenas com as cortinas mais bonitas e floridas que você já viu. Isto foi baseado em um cross-dresser da vida real chamado Danny La Rue – “la rue” significa “a rua” em francês -, ou seja, a DC foi estúpida ao ponto de parodiar um cara e provavelmente só dois de seus fãs entenderam a piada de mau gosto. Então, fique avisado quando aparecer uma rua chamada Danny no filme da Liga da Justiça.

Moça Infecciosa3

Aqui está outra falha literal: estreando em 1974, a Moça Infecciosa tinha o poder de, bem, infectar seus inimigos. Vinda do planeta Somahtur, sua raça é coberta de micróbios que poderiam se espalhar pra qualquer outra pessoa através do contato simples. Em outras palavras, tudo que Infecciosa tinha que fazer era tocar em você e você seria imediatamente atropelado com doenças e indução de vômito. Pegue tudo que você ama na Vampira dos X-Men, torne-a extremamente repugnante e você tem a Moça Infecciosa.

Se isso não é ruim o suficiente, ela tem pouco ou nenhum controle desse poder. Ao tentar entrar pra Legião de Super-Heróis, o personagem Ástron se ofereceu pra ser infectado, então Infecciosa poderia mostrar seus poderes pros juízes. Mas ela deixou-o muito doente, falhando em sua audição. Mesmo quando recrutada pra Legião dos Heróis Substitutos – sabe aquela galera que não consegue entrar num clube e funda o própro? -, ela continuou a falhar graças ao seu poder. Uma vez, ela tocou num companheiro chamado Color Kid e o deixou tão doente que ele… Virou mulher. Não sei se isso é só estupidez ou mais uma declaração homofóbica da DC.

Codpiece4

Codpiece, um vilão introduzido em 1993, estava zangado com as pessoas que praticavam bullying com ele o tempo todo, então se tornou um louco armado. Até aí, tudo bem. Mas Codpiece tomou uma decisão não muito madura: as pessoas estavam tirando sarro de… Bem, do que ele tinha lá em baixo, então ele fixou uma arma… Bem lá em baixo – e começou a explodir pessoas pra se sentir machão. Além disso, ele roubou um monte de bancos usando sua arma na braguilha – em inglês, codpiece -, porque o que é mais machão do que dinheiro?

Alguns personagens de quadrinhos têm segundas chances, uma vez que há sempre algum escritor disposto a dar outra interpretação a uma falha. Não Codpiece. O pobre rapaz fez uma aparição na Patrulha do Destino, foi derrotado por uma mulher vestindo uma máscara de sapo e ninguém desperdiçou sequer uma gota de tinta sobre ele desde então. Talvez se a DC quiser fazer seu próprio filme de ao estilo Deadpool, ele poderia ser citado como uma breve piada. Cinco minutos desse cara na tela seria mais engraçado do que o Esquadrão Suicida inteiro.

Tyroc5

Um personagem como Tyroc, que estreou em 1976, quando a DC não tinha nenhum super-herói negro, deveria ter sido inovador. Em vez disso, ele era simplesmente embaraçoso. E não era apenas por causa de seu super-poder, que era literalmente apenas ferir as pessoas gritando muito alto. Não, era mais por causa dos escritores brancos, que criaram um super-herói negro que odiava pessoas brancas. Ele se recusava a trabalhar com qualquer um deles, incluindo o Superboy, simplesmente por causa de sua cor de pele. Então ele lutava contra o mal por conta própria? Não, ele só ficava em casa, uma ilha chamada Marzal, que normalmente existia em outra dimensão – quando não estava flutuando pela costa da África -, cheia de outros negros que odiavam os brancos.

Você leu certo. O primeiro super-herói negro da DC foi criado quase que exclusivamente como uma desculpa conveniente pra não existir outros heróis negros. Todos tinham segregado a si mesmos e não queriam trabalhar com heróis brancos. Como ninguém tinha pensado nisso antes? Deve ser por isso que que nunca mais vamos ver Tyroc novamente. Porque ele não quer cooperar, oras.

Egg Fu6

Mulher Maravilha ainda vai lutar contra muitos vilões como parte da Liga da Justiça no filmes da DC, mas Egg Fu certamente não vai ser um deles e você só precisa olhar pra essa imagem pra entender o porquê. Chocado em 1965, Egg Fu não era apenas um ovo antropomórfico gigante, o que já teria sido idiota o suficiente por conta própria, ele era um estereótipo chinês racista, com direito aos olhos apertados, bigode fino do mal e sotaque forçado. E ele era um espião comunista.

Egg Fu, desde então, recebeu várias repaginadas nos quadrinhos, com todo o material flagrante anti-China apagado. Seu rosto é normal, seu sotaque é normal, só o nome que não melhorou muito – agora é Chang Tzu. É um começo, mas não espere que ele apareça nos filmes. Por enquanto, tudo o que teremos dele são suas memórias ruins.

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