DJ Snake é um dos novos grandes nomes da EDM. O DJ já está por aí há uns 6,7 anos, mas estourou mesmo em 2014 com o hit Turn Down for What e Get Low, com Dillon Francis. No ano passado, o sucesso do DJ se tornou estratosférico com a música em parceria com o Major Lazer e a cantor MO, Lean On.

Este ano ele lançou seu primeiro álbum de estúdio, intitulado de Encore. A expectativa para o álbum foi imensa, pois finalmente ouviríamos aquele grande artista ascendente alcançar outros níveis.

Vamos conferir.

INTRO (A86) : A introdução cumpre muito bem o seu papel, e resume o que virá nas principais faixas do álbum, com um vocal bem trabalhado e um ritmo mais lento. 8/10

Middle (feat. Bipollar Sunshine) : Muito bem encaixada depois da Intro, parece que as duas faixas se complementam na melodia. Middle foi a primeira faixa divulgada do novo álbum, puxando um pouco para o EDM Pop,  e DJ Snake mostra seu poder com os vocais fabulosos do cantor Bipollar Sunshine, que é uma das vozes que deveríamos prestar mais atenção no futuro.

A letra da música é muito boa, e fala sobre consertar as coisas com alguém, construir um novo horizonte e dar uma nova visão àquele mundo. O drop caracteriza o motivo de Snake ter ficado tão popular com Lean On, e é agradável, incansável, viciante, dançante e ao mesmo tempo um pouco emotivo. Sem falar nos graves e a construção musical, com sons e efeitos muito bem escolhidos. Com certeza uma das melhores músicas do álbum, e talvez do ano.  Nota 9/10

Sahara with Skrillex : Essa parceria poderosa foi um dos maiores trunfos para vender o álbum, já que não foi divulgada online. Todos queriam ouvir o que saíra de dois dos maiores nomes da Trap Music atual. O resultado é uma música bem construída que culmina num drop estranho e preguiçoso. Skrillex quase não tem influência na música, pelo menos não aparente. O começo e o drop parecem ser músicas diferentes, como num mix de setlist ao vivo, onde os dois são misturados e trocados. 6/10

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Sober feat JRY : Depois de uma pessada, mais uma música suave e leve. O álbum vai se dividindo assim. Novamente Snake escolhe muito bem seu vocal, com JRY, e aposta nas melodias mais tropicais. A música é boa, mas um pouco genérica, e o drop quase passa despercebido. 7/10

Pigalle feat Moksi : Aqui a parceria com o DJ da Barong Family funciona muito bem, e até parece uma versão corrigida de Sahara. Ou pelo menos é o que a outra música com Skrillex deveria ser. Um vocal mixado no começo, uma construção mais agitada, mas um drop constante e leve. 7/10

Talk feat George Maple : Mais uma perola do álbum que demonstra muito bem o potencial do DJ francês. Não é nem preciso falar sobre o vocal de George Maple, concordam ? Simplesmente fabuloso. Esse tipo de música prova que Snake não precisa jogar no agressivo, que mesmo assim funciona. Teclados muito bons, talvez tirados de uns papos com o Major Lazer; sem muita enrolação para construir seu chillstep, e um drop tropical excelente. A letra não é tão profunda quanto Middle, mesmo assim carrega uma mensagem e energia positivas.  8/10

Ocho Cinco feat Yellow Claw : E voltamos para o revezamento entre leves e pesadas. Mas dessa vez o encaixe da música no álbum funciona para adicionar mais à euforia da faixa anterior. Aqui Snake lembra os velhos tempos e chama a dupla Yellow Claw para uma pancada meio árabe, e um bass poderoso. Dá pra perceber muita influência da dupla em quase toda a música, desde a construção até o drop, e DJ Snake ajuda na melodia saudita e no bring back característico do produtor. É a faixa perfeita para colocar fogo em um festival. 8/10

The Half (feat. Jeremih, Young Thug & Swizz Beatz): Obviamente, com todas essas participações, a música é um pouco mais voltada para o hip-hop. Ao começo isso que se dá a pensar, que mais uma vez o álbum está mudando drasticamente de estilo, mas a confiança volta no drop. Daquele jeito típico do DJ Snake, do jeito que o pessoal gosta. Uma música mais lenta onde os rappers se revezam depois do drop, com uma melodia legal nos primeiros 30 segundos de música, mas que depois se torna enjoativa. 7/10

Oh Me Oh My (feat. Travis Scott, Migos, G4shii) : Agora pra completar de vez a virada musical pro rap. Essas últimas três músicas foram muito bem posicionadas no álbum uma após a outra, assim mantendo o ritmo que vai se construindo. A música é totalmente entregue ao rap, prova disso é o fato dela não conter drop ou qualquer outro indício de trap ou mesmo EDM. 6/10

Propaganda : Um ótimo estouro para festivais e se encaixa perfeitamente em qualquer setlist que queira fazer o público ir à loucura. Mas não faz muito sentido colocar essa música num álbum assim, onde você tem músicas leves e até mesmo divertidas. Talvez ela só esteja aqui para relembrar ao ouvinte que esse é um álbum de eletrônica, depois das últimas músicas.

Apesar dessa falta de contexto, é música muito bem trabalhada e já virou sucesso no show do DJ. Um trap de origem e sonoridade pesada. Só não precisava entrar na tracklist de Encore. Um tanto quanto desnecessária. 6/10

4 Life (feat. G4shi) : O rapper Libanes retorna para uma música também voltada para o rap, mas agora lembrando um pouco o estilo de Drake e até mesmo Kanye West. O refrão é muito bom, e grudento, e o instrumental se encaixa muito bem sem ter que ser 100% da vertente do rap. Era até possível encaixar um drop de bass depois do refrão, pra lembrar as origens da trap music, que nada mais é do que uma adaptação eletrônica do rap e do hip/hop. 7/10

Future, Pt 2 feat. Bipollar Sunchine) : Repetindo a parceria que deu certo, o instrumental da música lembra um pouco os tons de Daft Punk e Disclossure, numa letra cantada no estilo do The Weeknd. O drop também lembra bastante o duo Disclossure, misturado com os vocais mixados do Bipollar Sunchine. A letra junto com os embalos de balada são bem confortáveis e dançantes, e a track sabe dividir muito bem seus momentos. 8/10

Let me Love You (feat. Justin Bieber) : DJ Snake trabalhou com Diplo em Lean On, e Diplo trabalhou com Justin Bieber em Where are U Now, e esses contatos resultaram na parceria do canadense com o francês. Traz de volta aquele clima agradável e leve, mais tropical, pra se ouvir num final de tarde. Uma letra muito boa, cantada por Bieber numa entonação diferente do que estamos acostumados a ouvir do cantor. Os teclados fazem com que essa música seja uma espécie de Lean On parte 2, e obviamente é o DJ Snake jogando no que é seguro. É contagiante, e faz querer ouvir mais. Sucesso garantido.

Uma boa construção um tanto emotiva para o drop caribenho e típico do Chillstep. Junto com Talk e Middle, essa é uma das melhores músicas do álbum. 9/10

Here Comes the Night (feat. Mr Hudson) :  Uma ótima forma de se despedir, Mr. Hudson traz uma letra muito bem composta e canta sobre pouco instrumental, pra deixar um pouco mais emotivo. Em alguns momentos os teclados chegam a lembrar Summit, do Skrillex, mas bem de relance. O drop vem forte e diferente dos outros do álbum, mesmo assim não saindo da zona de conforto. Uma excelente música que merecia mais destaque, mas que só é usada mesmo para encerrar o disco. 9/10