Desde quando as redes sociais surgiram, o mundo não é mais o mesmo definitivamente. Por lados positivos e negativos, podemos definir uma revolução nos meios de se comunicar, tomando força com o Orkut e agora em seu auge, com derivados de tudo que é possível : uma rede só para postar fotos, outro só para conversar, outro só para vídeos, outro para frases instantâneas e outro que agrega todos esses anteriores.

Tudo isso é muito útil para diversas situações, como para funcionários de empresas que precisam se comunicar, entrar em contato com uma pessoa distante, o alcance mais rápido de notícias e uma maneira quase instantânea para acha-las. Achar um criminoso hoje em dia é muito mais fácil do que há 16 anos atrás.

Porém, no meio de todos esses benefícios, existem também os problemas e imbecilidades do dia-a-dia. Não é de hoje, mas já percebeu como nós, não apenas brasileiros, mas humanos, gostamos de consumir merda ? Sendo bem chulo, nós AMAMOS consumir merda, e a cada dia que passa nos afundamos cada vez mais nela. Repare. Por que é tão engraçado ver as vídeo-cassetadas do Faustão ? É humanamente errado, rir da dor e do sofrimento de outra pessoa da mesma espécie, não é ? Pelo que parece não.

A família toda se reúne nas noites de domingo em frente a televisão para assistir pessoas levando porradas, machucando as genitálias, caindo de cara no chão e, principalmente, sofrendo. É um hábito comum, que se levado a sério pode parecer estranho. Já percebeu isso ? Coisas normais passam a parecer imbecilidades quando você as trata como realmente são. É comum, não normal. Uma grande diferença reside entre essas duas palavras.

Deixando as analogias de lado, quantas mensagens realmente fazem sentido no grupo de WhatsApp da família ? Mensagens superficiais dando bom-dia, piadocas e trocaralhos, e os famosos vídeos do zap-zap, que você assisti uma vez e depois deixa armazenado num lado escuro do cérebro, descartando aquela informação engraçadíssima.

Não importa a rede, as pessoas compartilham todo tipo de coisa desnecessária, seja para aumentar o ego ou chamar atenção. Por que vídeos de pessoas sendo espancadas, fotos de maus-tratos animais ou até mesmo crianças com necessidades especiais fazem tanto sucesso ? Por que todos se voltam à isso, por um pequeno espaço de tempo ? Nós amamos ver isso, amamos ver uma criança inocente chorando pela morte de um inseto, amamos ver brigas de rua e xingamentos aos montes, porque somos humanos. E é isso que consumimos. Somos sujos, mesmo não sabendo disso.

O primeiro episódio de Black Mirror, “The National Anthen”, reflete muito bem tudo isso. Um terrorista sequestra uma princesa, e ao invés de pedir dinheiro ou qualquer coisa material, solicita uma transmissão ao vivo do primeiro ministro britânico transando com uma porca.

Um absurdo não é mesmo ? Quem assistiria uma grosseria dessa ? Afinal, somos conscientes o suficiente para não consumirmos esse tipo de humilhação, essa vergonha em público de um dos nossos. Mas você esqueceu de um fato : vivemos na sociedade do espetáculo. Tudo é um show e precisa ser visto, noticiado. Mesmo que seja absurdo. Mesmo que sejam fotos de um cantor morto após um acidente de carro, o grupo da família no zap-zap precisa ver isso.

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Por mais absurdo que o caso do Primeiro Ministro seja, o mundo inteiro parou para assistir, como se fosse um jogo de futebol. Pessoas se juntando em bares, parando em hospitais e qualquer lugar com uma TV disponível para exibir a desgraça. Mesmo sendo ficção, personagens inventados e um caso aparentemente absurdo, o que mais isso tem que NÃO se pareça com a realidade ?

Voltando ao caso do cantor morto, mesmo com o choro e o lamento de fãs e familiares, porquê uma audiência ENORME volta a ligar em programas de fofoca que insistem em lembrar do caso ? Como já citado, se você der uma olhada além da superfície dessas ações, elas vão parecer absurdas, mas são comuns. Comuns, mas não normais.

Bem vindo ao espetáculo da desgraça, da tragédia. Só tome cuidado para você não ser o próximo a subir neste palco.